terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Calculadoras Financeiras e a Comunicação

Fonte: UOL Finanças

Quanto custa um empréstimo? Hoje é muito fácil calcular o custo de uma operação financeira apenas colocando as variáveis em simples programas de computador elaborados para essa finalidade. O que agora se mostra tão elementar, entretanto, nem sempre foi assim.

Quando eu ainda era um garotão, nos anos 1970/80, fui gerente de banco. Posso afirmar: naquela época poucos diretores ou gerentes financeiros, até de grandes empresas, e mesmo gerentes e diretores de bancos sabiam calcular o custo das operações. Como pouca gente sabia fazer cálculos, quem tinha noção de juros compostos se diferenciava.

Por isso também que os engenheiros de produção tomaram conta do mercado. Todos saíam da faculdade sabendo mexer com números e encontravam as portas abertas nas organizações financeiras. E quem não sabia fazer conta, como conseguia se virar?

A história é bastante curiosa. Tanto nas empresas como nas organizações financeiras, no comecinho dos anos 1970, os profissionais, sem nenhum constrangimento, usaram umas tabelinhas. Todos tinham a bendita tabela na pasta ou na gaveta.

Assim que começavam a discutir a operação, cada um do lado oposto da mesa sacava sua tabelinha. Ali encontravam os diferentes percentuais de reciprocidade em depósitos à vista e arrecadação de impostos, taxa de juros, prazo da operação e pronto, a rentabilidade ou o custo do empréstimo estava calculado.

O problema é que tudo tinha de ser feito com os mesmos números da tabela. Se fosse sugerido um percentual de reciprocidade diferente, uma taxa de juros quebrada em décimos, ou prazo fora dos 30, 60 e 90 dias, a tabela já deixava de ter utilidade. Era comum ajeitar operações só para que se enquadrassem nas variáveis da tabela.

Até que surgiram as HPs financeiras. A primeira foi a HP 22, lançada em 1975. Com um pouquinho de conhecimento de matemática financeira, todos os cálculos podiam ser feitos com facilidade. Assim, aos poucos as tabelas foram abandonadas e os profissionais passaram a ser mais bem qualificados.

Fui professor de um programa criado no Banco Francês e Brasileiro (hoje Itaú Personalité), chamado Proforge (pró-formação de gerentes). O banco recrutava os melhores alunos das faculdades de ponta e durante alguns meses ensinava tudo o que precisavam para se tornarem gerentes do banco.

Um programa muito bem-sucedido. Até hoje, mais de 30 anos depois, é possível encontrar alguns profissionais remanescentes desses programas ocupando posições de destaque em importantes organizações financeiras. Eu orientava como calcular a rentabilidade de operações com reciprocidade em conta corrente e impostos.

Lógico que não me escolheram apenas porque eu conhecia matemática financeira e as operações bancárias, mas também para deixar claro que fazer apresentações de qualidade era, em determinadas circunstâncias, até mais importante que saber fazer cálculos.

Em 1978 guardei minha HP 22 e a substitui por uma novidade revolucionária, a HP 38E/C. Lembro-me de que fui para praia num final de semana prolongado e voltei sabendo mexer em todas as operações. Com essa máquina ficou ainda mais simples elaborar os critérios para negociar os diferentes tipos de operações financeiras.

Um ano depois, em 1979 veio a sofisticação da HP 41C e em seguida a 41CV. Dava para fazer programas com uns cartõezinhos. Eu montava os programas com as operações mais comuns e na hora de calcular bastava passar o cartão na máquina.

Finalmente em 1981 chegou a HP 12C. Nunca mais a substituí. Desde o seu aparecimento até hoje não encontrei calculadora financeira melhor. Tenho todas essas máquinas guardadas como espécie de histórico da evolução dos cálculos nas operações financeiras.

Da época das tabelinhas até aqui muita coisa mudou. Saber calcular custo ou rentabilidade de operações passou a ser competência essencial para gerentes de banco ou financeiros de empresa. Mesmo que o profissional não tenha tanto domínio, os programas de computador darão o resultado de que precisa.


E a comunicação? Há pouco tempo nosso curso foi contratado para treinar 150 executivos de um grande banco. Na conversa inicial que tive com o presidente da organização ele me disse: "Polito, estou contratando você porque de nada adianta os 'meus meninos de ouro' conhecerem tudo sobre matemática financeira se não souberem falar. Nós não estamos precisando de 'pilotos de HP'. Queremos que os nossos profissionais saibam se comunicar bem para inspirar confiança e credibilidade".

E completou: "qualquer gerente de banco hoje sabe fazer conta, mas nem todos sabem falar de forma clara, objetiva e persuasiva".

Que interessante. A mesma habilidade que os gerentes de banco e os financeiros das empresas tinham há 40 ou 50 anos é exigida hoje –a insubstituível capacidade de falar bem. É possível deduzir, portanto, que saber falar hoje é tão importante quanto saber calcular. veja outras materias sobre o tema na UOL.

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