quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Crise Financeira nao diminui o ritmo da imigração mundial em 2009

 
O mundo pode estar passando pelo pior momento econômico dos últimos 70 anos, mas a migração internacional, uma força cada vez maior, dá poucos sinais de recuo.
Globalmente, o número de migrantes não diminui, e no ano passado eles enviaram mais dinheiro para casa do que o previsto. Muitos migrantes perderam seus empregos, mas poucos decidiram voltar para casa, mesmo se alguém pagasse. Em alguns lugares, a demanda por mão de obra estrangeira cresceu.
Talvez nenhum lugar exemplifique melhor a sedução da migração quanto as Filipinas, um país de quase 100 milhões de habitantes, onde um quarto da força de trabalho atua no exterior. Apesar da cambaleante economia mundial, no ano passado o país bateu recordes no número de trabalhados enviados para o exterior e nas quantias remetidas por eles.
Em seminários do governo, várias empregadas com destino a outro país aprendem a cumprimentar seus futuros patrões em árabe, italiano e cantonês. Algumas delas choram vendo um filme sobre uma babá que consegue um trabalho no exterior, mas perde o amor de seus filhos.
Médicos vão para o exterior para trabalharem como enfermeiros. Professoras vão trabalhar como empregadas domésticas. Futuros emigrantes soltam fagulhas no Centro Feminino Tesda, onde o governo oferece treinamento gratuito para soldadoras.
A crise financeira se segue a uma era de crescente mobilidade que espalhou trabalhadores migrantes por todo o mundo. Babás polonesas cuidam de crianças irlandesas e indianos constroem torres em Dubai. Dos 15 milhões de empregos criados nos Estados Unidos na década anterior à crise, quase 60% foram preenchidos por pessoas nascidas no exterior, de acordo com um relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico.
É claro que a crise atingiu os migrantes, muitas vezes de forma desproporcional. Um relatório do Instituto de Políticas da Migração revelou que, nos últimos três anos, o número de desempregados cresceu em 4,7 pontos percentuais entre os americanos nativos, enquanto aumentou em 9,1 pontos percentuais entre imigrantes do México e da América Central.
A xenofobia cresceu em alguns lugares, às vezes chegando à violência. Em 2008, conflitos na África do Sul mataram dezenas de migrantes africanos, incluindo do Zimbábue. Na Itália, o papa condenou ataques contra trabalhadores rurais africanos este ano.
Porém, com algumas exceções, as dificuldades não fazem os migrantes voltarem para casa. Espanha, Japão e República Tcheca tentaram pagar para que os trabalhadores estrangeiros voltassem para casa, mas poucos aceitaram. Da mesma forma, o número de mexicanos que deixam os Estados Unidos não cresceu, disse Jeffrey S. Passel, do Centro Hispânico Pew.
Embora a economia e as fronteiras mais rígidas tenham reduzido novos fluxos de entrada de imigrantes, ele disse, a população total de mexicanos nos EUA continua a mesma.
Hania Zlotnik, diretora da Divisão de População da ONU, disse: “No mundo todo, a crise diminuiu o crescimento da migração, mas o número de migrantes ainda está aumentando”
Há muitas razões para isso. Alguns países “receptores” escaparam da recessão, especialmente no Oriente Médio. Alguns países “emissores” foram fortemente atingidos, dando aos migrantes mais motivos para deixar o país ou permanecer no exterior. Mesmo em más fases econômicas, os migrantes normalmente fazem trabalhos que outros evitam, como colher safras ou limpar banheiros.

E muitos migram por razões não econômicas, para se unir a cônjuges ou pais. Isso ajuda a explicar por que a migração, uma vez estabelecida, é difícil de ser revertida.
No entanto, até acadêmicos que há muito tempo estudam essas dinâmicas esperavam que a crise econômica global levasse a uma contenção da migração. “É a resiliência dos fluxos internacionais de migração que mais impressiona”, escreveram dois estudiosos sobre migração, Stephen Castles, da Universidade de Oxford, e Mark J. Miller, da Universidade de Delaware, em artigo publicado em abril.

Migrantes do mundo em desenvolvimento enviaram US$ 326 bilhões para casa no ano passado, de acordo com o Banco Mundial. Esse valor foi 6% menor que no ano anterior, mas mais do que o previsto pelo banco, e US$ 80 bilhões mais que os imigrantes enviaram em 2006. Como os investimentos privados caíram a índices menores, a importância relativa do dinheiro dos migrantes cresceu.

Os mexicanos estão fortemente ligados a um único país (Estados Unidos), e uma indústria (construção civil). Os filipinos trabalham em todo o mundo em várias ocupações diferentes. A migração mexicana não é controlada e é em grande parte ilegal. Os trabalhadores filipinos são promovidos pelo estado, e a maioria deles embarca com contratos de trabalho e visto.
Apesar da crise, o emprego aumentou um terço nos últimos dois anos, para 1,4 milhões de trabalhadores. As remessas enviadas por eles aumentaram 19%, para US$ 19,4 bilhões, de acordo com o Banco Mundial.

fonte: www.aacilus.org 

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