segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A HISTÓRIA DA ROTA IMPERIAL SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA

João Eurípedes Franklin Leal

Paleógrafo e Historiador
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

No início da colonização portuguesa no Brasil, quando da criação do sistema administrativo denominado Capitanias Hereditárias, em 1534, foi doada a Vasco Fernandes Coutinho uma área que, em 1535, tornou-se a Capitania do Espírito Santo. Seu território abrangia inicialmente uma enorme área que englobava, além do atual Espírito Santo, boa parte de Minas Gerais e parte de Goiás, pois seu limite se dava pelo meridiano de Tordesilhas. Foi dentro deste território, então percorrido no século XVII por bandeirantes paulistas, ávidos por ouro, prata e pedras preciosas, que um deles, Antônio Rodrigues Arzão, em 1692, nas cabeceiras do rio Casca, na então falada e pouco conhecida Casa do Casca, descobriu, oficialmente, o ouro tão procurado pelos bandeirantes.

Foi a partir deste evento que materialmente se concretizou o ciclo do ouro no Brasil, mudando radicalmente a economia e a política colonial. Este ouro, então descoberto na região do rio Casca, foi levado à vila mais próxima, a Vila de Vitória, sede da Capitania do Espírito Santo. Eram três oitavas de ouro que foram apresentadas ao capitão-mor João de Velasco Molina e aos oficiais da Câmara de Vitória. Deste ouro, ofertado como prova da descoberta, fez-se dois anéis: um para o descobridor Arzão e outro para o Capitão- Mor do Espírito Santo.

Este ouro encontrado não foi realmente o primeiro a ser encontrado no Brasil, pois em outras regiões brasileiras o metal já havia sido detectado, mas sempre em proporções pequenas. O que ele representa é o início da maior corrida ao metal, com sucesso, na história recente do homem e que, por cerca de um século, mudou radicalmente a colônia do Brasil. Face a isto, a política governamental do Reino de Portugal procurou se adaptar à nova realidade regulamentando a exploração do ouro, evitando ao máximo seu descaminho ou seu contrabando e agindo de forma a controlar a produção, a cobrança de tributos e a entrada e saída de pessoas das Minas Gerais.

Foi criada a Capitania de São Paulo e Minas Gerais logo depois de desmembrada em duas. Boa parte desse território pertenceu à Capitania do Espírito Santo, que ficou restrita a uma faixa de terra à beira mar.

Com a explosiva produção de ouro já nas primeiras décadas do século XVIII, o governo Português, consciente de que quantos mais caminhos houvesse, mais contrabando haveria, delimitou o uso de apenas uma estrada de acesso às minas. Primeiramente, partindo do Porto de Parati, no Rio de Janeiro, o Caminho Velho da Estrada Real, em direção a Ouro Preto foi a rota permitida. Depois foi complementada pelo Caminho Novo, que partia diretamente da cidade do Rio de Janeiro para as Minas Gerais.

Foi proibido qualquer outro acesso às Minas e, principalmente, partindo do vizinho Espírito Santo, que se tornou, em expressão da época, a “defesa natural das Minas Gerais”. Era vedado qualquer contato. Era proibida qualquer entrada.

E o Espírito Santo, com sua floresta, seus indígenas não muito amistosos e as dificuldades impostas pela natureza, cumpriu, em parte, seu papel. leia mais sobre o tema no link original.



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